quinta-feira, 31 de outubro de 2019

A REFORMA PROTESTANTE

 

    I.  Introdução

   Hoje,  dia  31  de  outubro,  fazem-se  502  anos  que  Lutero,  em  1517, gravou  suas  95  teses  na  porta  da  Igreja  de Wittenberg/Alemanha.  Doravante,  inicia-se  a  Reforma  Protestante ―  movimento  que  teve  como  objetivo  primário  a  volta  à  essência  do  cristianismo,  e  que  tem  alcançado  em  largos  passos  o  Brasil  e  o  mundo.  

  II.  Causas  da  Reforma

    Muitos   fatores   favoreceram  o  Protestantismo  desde  os  seus  primórdios.  Vários  historiadores  empenham-se  na  busca  desses  aspectos  que  contribuíram  para  o  seu  crescimento.  Podemos  destacar  alguns  desses fatores  para  o rebentamento rápido e bem-sucedido  do  Protestantismo:


   O  Fator  Político

   Foi,  sem  dúvida,  uma  das  causas  da  eclosão  da  Reforma.  As  nações  centralizadas ao  Noroeste  da  Europa  opunham-se  à  noção  de  uma  igreja  universal  que  reinvindicasse  jurisdição  sobre  o  Estado  nacional  e  seu  governo.   Tinham  a  noção  de  que  as  autoridades  deviam  ser  independentes,  e  não  submetidas  à  Igreja  Católica.  
    Um  exemplo  de  como  este  fator  molestava  os   governantes  é  o  caso  de  Henrique  VII,  que  rompeu  com  a  Igreja  Romana  por  conta  de  seu  divórcio  com  Catarina  de  Aragão;  ato  reprovado  pelo  papa  Clemente  VII.  

    Fator  Econômico

   Amiúdes   de  terras   da  Igreja  Romana  na  Europa  ocidental  eram  cobiçadas  por  governantes  nacionais.  Eles  lastimavam  a  perda  do  dinheiro,  que  era  enviado  para  o  tesouro  papal  em  Roma.   Enquanto  o  clero  estava  isento  de  impostos,   os  Estados  Nacionais   eram  requeridos  à  pagarem fortunas  para  a  angariação  da  ICAR  ―  Igreja  Católica  Apostólica  Romana.  Esse  abuso  acarretou-se  em  revolta  dos  governantes;  e  fez  Lutero  postular   para  o  término  dessa  luxúria  e  avareza  que  estava  tomando  conta  do  papado e  do  clero  (Tese  86).  

    Fator  Intelectual

    Deve-se  à   postura   crítica,  adotada  por  mentes  lúcidas  e  secularizadas  diante  da  vida  religiosa  de  seus  dias.  O  humanismo  da  Renascença  criou  um  espírito  secular  semelhante  àquele  que  caracterizou  a  Grécia  clássica.  E,  obviamente,  aquelas  mentes  desembotadas  não  podiam  digerir  os  abusos  do  romanismo,  o  que  fez  com   que  protestassem, e  concomitantemente   tirassem  muitos  leigos  das  cadeias  da  ignorância.

    Fator   Moral
   
    Indubitavelmente   este   fator  foi  o  principal  dentre  os  que  contribuíram  para  o  crescimento  da  Reforma.  Os  poucos  que  tinham  cópias  do   Novo  Testamento começaram  a   perceber  o  quão  longe   estava  a  Igreja  Romana  daquela  bíblica  e  primitiva,  que  valorizava  mais  as  almas  do  que  o  dinheiro;  e  que  esforçava-se  por  seguir  à  risca  os  preceitos  bíblicos  dados  por  Cristo.  A  corrupção  estava  em  alto  escalão  na  ICAR,   e  o  pecado  havia  tomado  conta  ―  ela  estava  afundada  em  prostituições,  subornos,  corrupção,  assassinatos,  cobranças  de  indulgências,  etc.


     III.   O  Resultado  da  Reforma

   Desde  quando  a  "faísca"  da  Reforma foi  lançada,  o seu  crescimento  foi  sendo tão gradativamente  notório  que  provocou o  catolicismo  a  tal  ponto  dele  ter  de  fazer  uma  Contrarreforma  ―  movimento  que  antagonizava-se  a  Reforma  Protestante.  

    Na  dieta  de  Worms,  em  1521,  perante  o  Imperador  Carlos  V  ―  com  seus  príncipes  e  prelados  ―,  Lutero  foi  instado  com  ameaças  a  retratar-se  de  tudo  que  escrevera.  Mas,  longe  de  esmorecer  ou  acovardar-se, com  intrépida  ousadia,  proferiu:  
Se Sua Majestade Imperial deseja uma resposta franca,  eu a darei, e é esta: É impossível para mim retratar-me, a  não ser que me convençam pela Escritura ou por meio de  argumentos evidentes. Eu acredito em coisas contrárias  ao papa e aos concílios,  porque é claro como a luz do dia que eles têm errado e dito coisas incoerentes com eles próprios. Estou firmado nas Escrituras que tenho citado; minha consciência tem que se submeter à Palavra de Deus. Portanto, eu não posso e não me retratarei, porque proceder contra a consciência é ímpio e perigoso. Assim Deus me ajude. Amém.


     Mais  tarde,  na  dieta  de  Spira,  em  1529,  os  cristãos  reformistas,  pela  primeira  vez,  foram  cognominados  de  protestantes.  

      A   Reforma  atingiu  seu  estopim  nos  anos  seguintes,  com  respectivos  reformadores,  como  Calvino, Zwinglio, John Knox, etc.  


     IV.    Conclusão

     A  Reforma  Protestante  teve  como  objetivo  restaurar  a  Igreja à  essência  do  cristianismo.  O  trabalho  árduo  de  muitos  reformadores   resultou-se  num  movimento  magno  e  gigantesco.  Que  possamos,  verdadeiramente,  zelarmos  pela  pureza  e  essência  do  cristianismo,  a  fito  de  não  perdermos  o  foco  inicial.  Continuemos  dizendo: 

  Sola  Fide  (Somente  a  fé);
  Sola  Scriptura  (Somente  a  Escritura);
  Solus Christus   (Somente  Cristo);
  Sola  Gratia   (Somente  a  Graça);
  Soli  Deo  Gloria   (Glória  Somente  a  Deus).

Amém!

Por:  Daniel  Cardoso.

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, A. Lições  da  História  que  Não  Podemos  Esquecer. 1ª ed.  São Paulo: Vida, 1993, pp. 148,149.  In: VIEIRA, H.S.  A  Unidade  da  Igreja  e  o  Avivamento.  Jovens e Adultos. 2ª ed. Porto Alegre: Ramo da Videira, p. 79. 

Bíblia  Apologética  com  Apócrifos.  Rio  de  Janeiro:  ICP,  2015, pp. 1493, 1494.
   

     


quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O DESAFIO DA APOLOGÉTICA CONTRA O CETICISMO

I.   O  Terrível  Ceticismo  e  seu  Desenvolvimento  na  Sociedade 

De  fato,  o  ceticismo,  nos  últimos  anos, virou  sinônimo de  intelectualidade.  A  sabedoria para  o  mundo  contrasta-se e  mostra-se  totalmente  inversa  e  antagônica  aos  padrões  estabelecidos  pelo  Todo-Poderoso. 

Ao  confiarem  em  si  próprios,  os  céticos  envilecem  e  desdouram  uma  série  de  príncipios  bíblicos; entre  estes,  está  o  que  dizia  o  sábio  Salomão: "Confia  no  Senhor,  não  no  teu  próprio  entendimento" (Pv 3.5).  O  mundo  que  considera-se  altamente  intelectual  perde-se  em  seu  próprio saber:
"Dizendo-se  sábios,  tornaram-se  loucos" (Rm 1.22). Ao  confiarem  em  si  mesmos  ― e  não  na  Bíblia ― os  céticos  amontoam  para  si  abismos  e  mais  abismos,  oriundos  do  príncipe  das  trevas; pois, um  abismo  chama  outro... (Sl 42.7).   Ao  negarem, por  exemplo, a  doutrina  da  inerrância  das  Escrituras  ― e  por  extensão  o  fato  de  serem  inspiradas  pelo  Altíssimo  ―  os  céticos  ficarão  sem  saber  os  mandamentos  e  a  Lei  de Deus. Como  conhecerão  Jesus,  se  negam  a  Bíblia? "Se  não  ouvem  a  Lei  e  os  profetas"  (cf. Lc 16.31),  como  então  saberão  qual  o  caminho  certo?  
Pode-se  notar,  portanto, que  Satanás  é  quem  deseja  o  ceticismo  quanto  a  Bíblia  Sagrada!

II.  A  Batalha  Apologética  na  Revolução  Industrial

A  Revolução  Industrial  foi   um  processo de  transição que  iniciou-se  na  Inglaterra,  no  século  XVIII.  Nela,  diversas  mudanças  na  Indústria  tiveram  lugar;  a  manufatura   ―  até  então   o  padrão  de  trabalho  nas  indústrias  ― foi  substituída  pela  maquinofatura,   sistema  maquinário.  Nesse  período  surgiu  a  era  denominada  comumente  pelos    historiadores  de  iluminismo  ―  movimento  que  antagonizava-se  ao  Antigo  Regime.   Vários  filósofos,  tais  como John Locke (1632-1704),  Montesquieu  (1689-1755),   Voltaire  (1694-1778),  Jean  Jacques  Rousseau  (1712-1778), Denis  Diderot (1713-1784), etc.,  apregoavam  uma  ideologia  deísta,  contrastando  o teísmo  cristão.  De  fato,  o  deísmo  foi  o  precursor  do  ateísmo  predominante.    

Conquanto  a  filosofia  deísta  fosse  apregoada,  o  teísmo  cristão também  o  foi.  Doravante, através  de  um  novo  método:  a  Escola  Bíblica  Dominical  ―  originada  por  Robert  Raikes  (1735-1811).   Entrementes,  houve  uma  batalha  espiritual,  porquanto  os  cristãos  tinham  uma  missão:  defender  a  fé  cristã  dos  ataques  filosóficos  do  deísmo. Amiúdes  de   servos  e  servas   do   Deus  Altíssimo   esforçaram-se   em   sua  missão.  Andaram,  em  verdade,  na   contramão  do   mundo   e   de  suas  ideologias  ―  conforme   ordena   a   Sagrada   Escritura  (Rm 12.2; 1 Pe 1.14; 1 Jo 2.15;  Ef 4.17-20).  



A  batalha  entre   as   duas  linhas  "filosóficas"  ― teísmo  e  deísmo   ―  deu-se   em  diversas   questões,  dentre  elas:



•  A   divindade   de   Jesus  ―  assegurada  pela   Sagrada  Escritura,  mas  negada  pelo  deísmo  (cf. Jo 1.1; 20.28; Rm 9.5; Fp 2.6; Tt 2.13; 2 Pe 1.1; 1 Jo 5.20);



•  A   inerrância,  inspiração   e   infalibilidade  da  Bíblia  Sagrada  ―  negada  pelo  deísmo (Is 34.16; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.20,21; 3.2; Ap 1.1-3; 22.18,19; 1 Ts 4.9);



•  Discordâncias  como:



―  O  deísmo  diz:  Toda  verdade  está  na  razão.  A Bíblia  diz:  Toda  a   verdade   está   em   Jesus  (Ef 4.21; cf. Jo 14.6).



 ―  O  deísmo  diz:  Deus  é  um  ser  distante.  O Deus da Bíblia  diz:  Sou  Deus  de   perto  (Jr 23.23; cf. Sl 145.18). 



 ―  O  deísmo  diz:  Deus  é  um  ser  impessoal  que  não  intervém  em  nada  na  terra.  A  Bíblia  diz  que  Deus  é  um ser  pessoal  (cf. 1 Cr 28.9; Jr 24.7; Jo 17.3; Lc 10.22), e  que  intervém  sim  na  Terra  (cf. Sl 113.6).



Muitas  são  as   discordâncias  existentes  entre  esses  grupos.  Mas  a  Palavra  de  Deus  prevalece  para  sempre (Sl  119.89). Prevaleceu   na  Revolução   Industrial,  no  Renascimento, e no  auge  do  Iluminismo,  como   tem   prevalecido  até  aos  dias  atuais.  

O  apóstolo  Pedro  asseverou:  "A Palavra  do  Senhor  permanece  para  sempre;  e  esta  é  a  Palavra  que  entre  vós  foi  enxertada"  (1 Pe 1.25).  

III.  A   Popularização  do  Ceticismo

É    importante    salientar   que,   desde  a   época   dos   primeiros filósofos, haviam   aqueles   que   negavam  terminantemente  a  existência  de   um  deus.    Aristóteles  ―  por  exemplo  ―,  cria  que   o  universo  em  sua  totalidade   foi  criado  por  uma  energia  superior  e   impessoal. Já  Epicuro  de   Samos   ―  líder  do  epicurismo   ―,  propalava  conceitos  ateístas   ainda  em   seu  tempo,   afirmando  que   o  universo   foi   criado   a   partir  de  matérias  preexistentes.  



Mas,  com  o   deísmo,   aos  poucos  o  ceticismo   foi  entrando  na  sociedade.  O   século  XIX   foi  a  "era"   das declarações  anticristãs.  Até  mesmo os  considerados   "intelectuais"  da  época  reuniram-se   num  lugar  para debater  a   autenticidade  da  Bíblia  Sagrada.  Apontaram  700   argumentos  contra  ela.  Hoje,  mais  de  600  desses   argumentos   foram  deixados  por  pesquisas   arqueológicas  mais  avançadas.  Duvidavam  da  autenticidade   de   vários   personagens  bíblicos  ― como  Davi  ―  até  acharem  a   rocha  de  Tel  Dan.  

Mas,  já  estava  vaticinado  na  Sagrada  Escritura  a  incredulidade  que   viria  à  humanidade.  Verdadeiramente,  este  é  o   operar  do  espírito  do   Anticristo,  que  "já  está  no  mundo [em  espírito]"  (1 Jo 4.3),  preparando  caminho  para sua  chegada.  O   Anticristo  será   terminantemente  ateu,  pois  "não  terá  respeito  por  nenhum  deus"   e    "contra  o   Deus  verdadeiro    falará   coisas  incríveis"  (Dn  11.36,37).  Por  conseguinte,  instiga  a   humanidade  com  filosofias   ateístas,  preparando  caminho  para   sua   chegada  e   governo   ditatorial. 



De  fato,   a  popularização  do  ceticismo  tem  sido  constante.  As   universidades   têm   ensinado conceitos  ateístas.  Os que  a isso  popularizaram  foram  dois  escritores  alemães,  a  saber:  Georg  Büchner (1813-1837)  e  Ernst  Haeckel (1834-1919).  Estes  propalaram  o  mais  terrível  ceticismo  entre  os  jovens  universitários  europeus. O  primeiro,  escreveu  o  livro  Força e Matéria  ―  livro  que  alcançou  um  patamar  de  fama  elevado, sendo traduzido  para  dezenas  de  idiomas  e  lido  por  quase  todos  os  jovens  estudantes  americanos  e  europeus.  O  segundo, por  sua  vez,  publicou  o  livro  Os  Enigmas  do  Universo ― que só  em  alemão  alcançou  mais  de  200  edições, além  de  ser  traduzido  em  muitos  idiomas. 

Logo,  os  jovens  ― gradativamente ― estavam  deixando  de  crer  no  teísmo  bíblico  e  cristão,  para  darem  crédito  aos  considerados  intelectuais  da  época.  



Não  poderia  também  deixar  de  citar  o  filósofo  Nitzsche,  que  no  seu  livro  Assim  Falou  Zaratustra  (1883) proclamou  a  morte  de  Deus,  ao  escrever:

Deus  morreu!   Deus  está  morto!
 Doravante, a  chamada  "Teologia  da  Morte  de  Deus"  entrou  em  cena.  Na  Segunda  Guerra  Mundial,  com  as  terríveis  atrocidades  praticadas  por  Adolf  Hitler,  alguns  teólogos  tornaram-se  partidários  dessa  teologia,  porquanto  falavam  num  suposto  "sumiço  de  Deus"  ante  às  crueldades  feitas  pelos  nazistas. 



Entretanto,  a Teologia  da  Morte  de  Deus  emperrou-se.  Atualmente,  os  tipos  de  ceticismo  que  mais  ganham  força  no  mundo  e  na  sociedade  são  o  ateísmo  ―  que  nega  categoricamente  a  existência  de  Deus  ―  e  o  agnosticismo ―  que  afirma  que  a  verdade  é  relativa,  e  não  absoluta.

Cabe  ao  cristão  estar  preparado  para  respondê-las,  deixando  claro  "a  razão  da  sua  fé"  (1 Pe 3.15).

IV.    O  Desafio  da  Apologética  Contemporânea

A  palavra  apologética  vem  do  termo  grego  apología. Nos  tempos  neotestamentários,  esse  termo  grego era  empregado  com  o  sentido  de  salvaguardar-se  (cf.  At 22.1; 25.16; 1 Co 9.3; 2 Co 7.11; Fp 1.7; 2 Tm 4.16),  mas  também  com  o  sentido  de  defender  o  Evangelho (Fp 1.16; 1 Pe 3.15).  É  nesse  segundo  sentido  que  se  enquadram  os  apologistas  cristãos; em  meio  a  todas  as  oposições  ceticistas,  eles  tem  de  usar  a  "espada  do  Espírito" (Ef 6.17)  ―  que  é  a  Palavra  de  Deus, a nossa  única  e  suficiente  arma  de  ataque.



E  como  podemos  defender  a  fé  em  nossos  dias? Aproveitando  minuciosamente as  oportunidades  que  temos  para isso! O  apóstolo  Paulo  almejava  que a  "porta  da  palavra"  fosse  aberta,  a  fim  de  que  ele  pudesse  testemunhar  do  Evangelho; ele  orava  para  que  soubesse  aproveitar  essas  oportunidades,  e  falasse  "como  me  convém  falar" (Cl 4.3,4). Outrossim,  o  crente  deve  orar  a  fito  do  Altissímo  preparar-lhe  "a  porta  da  palavra"  ―   isto  é,  a  oportunidade  de  falar  da  Palavra ―  para  com  todos  os  seus  companheiros. Deve  também, assim  como  Paulo,  pedir  ao  Senhor  que  lhe  dê  graça  no  modo  de  expressar-se,  e  também  para  falar  como  convém. 



Muitos  crentes  estudantes  esquivam-se  quando  o  assunto  em  apreço  na  sala  de  aula  é  cristianismo. Ali  já  há  uma  bela  oportunidade  de  testificar  do  Evangelho  e  defendê-lo!  



Sabemos  como  é  difícil  falar  da  Bíblia  Sagrada  numa  sociedade  que  está  se  tornando  cada  vez  mais  agnóstica. Que  é  a  verdade? ― perguntou  Pilatos  a  Jesus  (Jo 18.38), tal-qualmente  nos  perguntam  nos  dias  atuais.  Entretanto,  devemos  estar  preparados  para  esse  grande  desafio  da  apologética, e a cumprir-mos  a  Grande  Comissão   dada  por  Cristo:  Ide  por  todo  o  mundo,  pregai  o  Evangelho  a  toda  criatura  (Mc 16.15).



Por:  Daniel  Cardoso.

BIBLIOGRAFIA:

BERGSTÉN,  E.  Teologia  Sistemática.  20ª impressão.  Rio  de  Janeiro: CPAD,  2019.

COSTA,  J.M.   Provas  da  Existência  de  Deus.  Rio  de  Janeiro: Central  Gospel,  2016.

ZIBORDI,  C. S.   A  Pregação  Apologética  na  Pós-Modernidade. Disponível  em  < https://cirozibordi.blogspot.com/2019/07/a-pregacao-apologetica-na-pos.html >. Acesso  em:  21.10.2019. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

QUE GERAÇÃO É ESSA?


I.  Introdução

Jesus,  em   seu   ministério   terreno  ―  aproximadamente  3  dias   antes    de  sua   morte  ―  pronunciou  as   seguintes  palavras:

Em  verdade  vos  digo  que  não  passará   esta  geração  sem  que  todas  essas  coisas   aconteçam

Essa   expressão  aparece  em  todos  os   evangelhos  sinóticos (Mt 24.34; Mc 13.30; Lc 21.32).  Em  seu  contexto,  Cristo  estava  a  responder   a    pergunta   tripartida   de   seus  discípulos: "Quando  serão  essas   coisas  [destruição do  templo],  e  que  sinal   haverá  da  tua   vinda   e   do   fim  do   mundo?"  (Mt 24.3).   Após  relatar  vatícinios   proféticos,  o  Senhor  pronunciou   a  frase   supracitada:  Não  passará  esta  geração...  
Mas, que  geração  é   essa?  

II.   Os  Diferentes  Tipos  de   Geração   na  Bíblia

"Geração",  nas   Escrituras,  tem  sentido  lato, conforme  veremos  a  seguir.

A   palavra   geração:

 •  Pode  significar  "tempo  interminável";  uma  infinidade  eternal  (cf.  Êx 3.15; Sl 33.11; 90.1; Is 60.15; Dn 4.3; Lc 1.50);

 •  Pode  designar  "homens  de  uma  época" (cf. Êx 1.6; Nm 32.13; Ec 1.4);

 •  Pode  também  ―  ainda  que  raramente   ―  apontar  para  uma  determinada  nação,  espécie  ou  povoado  (cf.  1 Pe 2.9). Isso  principalmente  pela   etimologia  da  palavra.


III.   Os   Diferentes   Pontos   de   Vista

Dos  muitos  pontos  de   vista   existentes  quanto  à   passagem  em  foco,   ressaltarei   3:

A)   O  primeiro  defende  que   a "geração"  que  Jesus  referia-se  era  a   sua  era  e   época.    

B)  O  segundo  sustenta  que   a   "geração"  que   Jesus   estava  mencionando   era  aquela  que   veria o "florescimento  da  figueira", mencionada  por  Ele  concomitantemente  (Mt 24.32; Mc 13.28; Lc  21.29,30).

C)  O  terceiro  crê   que  a  "geração"  mencionada  por  Cristo  é  uma   referência   a   nação  de   Israel.

IV.   Genea:  nação

A  expressão  grega   dos  evangelhos  nessa  narrativa  de   Jesus  é:  genea.  Segundo  o    dr.  C.I.  Scofield,  ela  significa   mais  precisamente  algo  como: raça,  família, espécie.  Encaixa-se  perfeitamente,  nalguns  casos,  como  literalmente  uma  "nação" (cf. 1 Pe 2.9). Esta  é,  justamente,  a  palavra  utilizada  pelos  evangelistas. Por  conseguinte,   é  muitíssimo    mais   provável  que  Jesus   esteja  se   referindo  ali  à  nação  de  Israel,  ao  povo  judeu;  assim,  estaria-lhes  dizendo  que   não  acabariam  nem  seriam   destruídos  até  que  tudo  fosse  cumprido.  

De  fato,   muitos   têm  tentado  de  todas   as   maneiras  rechaçar  ao  povo  judeu;  reduzi-lo  a  pó  e   a  cinzas;  expurgá-los  e  destruí-los  por   completo.  

Pesquisas   mostram  que  Israel  já   foi:

•  Destruída  parcialmente  40  vezes;

•  Cercada  23  vezes;

•   Atacada  52  vezes;

•  Conquistada  44  vezes.

Não  obstante,  a   promessa   de   Jesus  é  clara:  Ele   preservará  a   geração  [Israel]  até  que  todo  o   Seu  grandioso  e   soberano  desígnio  seja   cumprido  por   completo! O  Todo-Poderoso  inspirou  Davi  a  escrever:  Eis  que  não  tosquenejará  nem  dormirá  o  Guarda  de  Israel;  O  Senhor  é  quem  te  guarda [...]  O  Senhor  te  guardará  de  todo  o  mal;  Ele  guardará  a  tua  alma!   O  Senhor  guardará  a  tua  entrada  e  a  tua  saída,  desde  agora  e  para  sempre   (Sl  121.4,5,7,8).

Muitos   dizem  veementemente  que  os  planos que  o  Altíssimo  tinha  para  Israel  acabaram,  sendo  transferidos  à  Igreja  ― que  teria   a   "substituído".  Isso  é  incabível!  O  Eterno  continua  sendo  o   "Deus  de  Israel"    ―  assim  se  autodenominou  por  203  vezes  em  Sua  palavra.  Os  defensores  da  tese  da  substituição  ancoram-se  no  texto  bíblico  de   Gálatas  6.16,  que  diz:  E  a  todos  quantos  andarem  conforme  esta  regra,  paz  e  misericórdia  sobre  eles  e  sobre   o  Israel  de  Deus".  Conquanto  a  frase   "Israel  de  Deus"  esteja  presente,  ela  perfaz  o  discurso  de  Paulo,  que  estava  a   escrevendo  noutro  sentido. Não  significa  que  a  Igreja  substituiu  Israel;  mas  sim  que  os  salvos  em  Cristo  são  o  povo   escolhido  de  Deus,  tendo  Abraão  como  pai,  assim  como  Israel  (Gl  3.7).   No  próprio  Novo  Testamento  está  escrito  que  Jeová  ainda  tem  planos   com   Israel  (cf. Rm  11.25-27).  Isto  é   certo  e  indubitável!


                              Conclusão

A   Sagrada   Escritura   menciona  como Satanás   odeia  a   Israel  e   tenta destruir   seu  povo  de  todas  as  maneiras.   Isso   é  visto   desde  o  Antigo  Testamento  (cf.  1 Cr 21.1),   como  também  no  Novo.  Note  como  o   dragão  de  Apocalipse  12  perseguia  à  mulher  ―  que  neste  caso  simboliza    o   povo  judeu.  Entretanto,  o   Senhor   Jesus  falou  clara  e  absolutamente  que  Seu  povo   há  de  ver  todos  os  sinais,  não  passará sem vê-los cumpridos.  As  Escrituras  prometem  que  o  Messias  reinará  em  Israel  (cf.  Sl 48.1-3; Is 2.1-3; 60.2,3; Jr 23.5,6; Mq 5.3,4; Zc 14.9,16);  por  isso,  o  vil  destruidor   tenta  acabar  de  vez  com  essa  nação.  Sua  convocação  aos  povos  a  virem  pelejar  contra  o  povo  judeu  lhe  acarretará  em  destruição  por  ocasião  da  Vinda do  Senhor  (2 Ts 2.8).  
A  aliança  que  Deus  fez  com  Israel  é  "perpétua" (Gn 17.7), de  sorte  que  Satanás  nunca  poderá  destruí-la.  Esta  aliança  prossegue  de  geração  em  geração,  porquanto  dela  escrito  está:  Deus  a  confirmará  para  sempre  (Sl 48.8). Todos  os  povos,  em  todas  as  localidades,  hão  de  dizer  a  Sião: O  teu  Deus  reina!   (Is  52.7).

Por:  Daniel  Cardoso.

        

   





quarta-feira, 11 de setembro de 2019

TEODICEIA CRISTÃ


    I.  INTRODUÇÃO

Provavelmente  nalguma  ocasião  você  já   tenha   ouvido  um  ateu/cético  dizer  a  tão  popular  frase:  se  Deus  existe,  então  por  que  há  tanto  mal  no  mundo?  Por  que  coisas  más  acontecem? 
É  em  resposta  a   essa   indagação  popular que  esta  postagem  destina-se.

   II.   O   QUE  É  A  TEODICEIA?

Conforme  você  viu  na introdução,  muitos  ateus  ― tentando  interpelarem  o  cristianismo  ―,  utilizam-se  do  argumento  do  mal  no  mundo.  A  teodiceia  ―  termo  originado  pelo  filósofo  Leibniz ―  é  a  filosofia  que  destina-se  à  responder  tal  questionamento;  provando-se,  assim,  que  a  existência  do  mal  não  é  um  estorvo  para  se  crer  que  Deus  existe,  nem  tampouco  que  é  amoroso,  conforme  nos  diz  a  Bíblia  Sagrada  (1 Jo 4.8,16).   Ele  existe (cf. Hb 11.6),  e  é  amoroso  (1 Jo 5.3),  piedoso  e  benigno (Sl 145.8).  Além  disso,  Ele  é  "tão  puro  de  olhos  que  não  pode  ver  o  mal" (Hc 1.13).  No  santíssimo  lugar onde  Jeová  habita  a  maldade  não  pode  entrar (Sl 5.4; 15.1-3). 
A  seguir,  analisaremos  numa  "teodiceia"  bíblica  o  por  que  de  Deus  permitir  o  mal  no  mundo. 

   III.   O  PROBLEMA  DO  MAL  APRESENTADO  E  A  SOLUÇÃO

O  problema  do  mal  vêm  sido  apresentado já  há  muito  tempo. Epicuro  de  Samos  (341-270 a.C)  ―  líder  da  linha  filosófica  do  epicurismo,  combatida  por  Paulo (At 17.18) ―  certa  vez,  disse  a  seguinte  frase:

Se  Deus  deseja  prevenir  o  mal,  mas  não  é  capaz,  então  ele  não  é  onipotente. Se  é  capaz,  mas  não  deseja,  então  é  maldoso.  Se  é  capaz  e  deseja,  então  por  que  o  mal  existe? Se  não é  capaz  e  nem  deseja,  então  por  que  lhe  chamamos  Deus?

 A  verdade  é  que  Deus  tanto  é  capaz  como  deseja  que  o  mal  acabe.  Mas  a  indagação de  Epicuro  foi:  "então  por  que  o  mal  existe?"  O  ser  humano,  por  sua  natureza,  quer  sempre  uma  resposta  para  absolutamente  tudo.  Sendo  assim,  na  mente  humana   as   indagaçãos  no  que  tange  à  maldade  e  a  existência  de  Deus  são  comuns.  É  comum que  seja  visto  depois  de  algum  ato  criminoso, fratricida, maldoso, etc.  a  pergunta  sobre   a  razão  do  Todo-Poderoso  ter  permitido  aquilo. 

SOLUÇÃO:

A  solução  para  o  problema  do  mal  é  vista  quando  analisamos  3  verdades: 

A)  A  ORIGEM  DO  MAL

De  onde  vem  o  mal?  Indubitalvemente,  o  mal  não  vem  de  Deus.  Diariamente,  ocorrem  roubos,  assassinatos,  estupros, etc.  Mas,  suponhando-se  que Deus  não  exista;  por  acaso,  o  mal  desaparece?  É  óbvio  que  não!  Temos  o  mal  no  mundo  com  ou  sem  um  deus.  Por  quê? Porque  o  mal  está  nas  pessoas;  são  as  pessoas  que  matam,  roubam,  praticam  maldades  e  violências,  etc.  Portanto,  não  vêm  de  Deus  o  mal,  nem  tampouco  Ele  o  pratica.  Somos  nós  que o praticamos.  Bem  falou  o  apóstolo  Paulo  sobre  isso,  quando  disse  que  em  nossa  carne  "não  habita  bem  algum"; somente o mal (Rm 7.18). Por isso,  a  origem  do  mal  está  no  pecado,  sendo  o  ser  humano o  agente  do  mesmo.
Alguns  utilizam  o  texto  bíblico  de  Isaías  45.7,  para  argumentarem  e  dizerem  que  Deus  é  o  criador  do  mal.  Entretanto,  os  tais  fazem  isso  não  sabendo  que,  no  conceito  hebraico,  há  dois  tipos  de  mal:  o  moral  e o  calamitoso.
É  nesse  segundo  sentido  que  o  texto  refere-se  ao  dizer  que  Deus  é  o "criador"  do  mal;  no  sentido de  calamidade,  em  demanda  de  Sua  justiça.

B)   A  REAÇÃO  DE  DEUS  AO  MAL

Aí  a argumentação  ateísta  cai por  terra!  Se  a  reação  de  Deus  ao  mal  no  mundo  fosse  sentar-se  ociosamente  em  seu  trono,  como  se  nada  houvesse  acontecido,  então  sim  a  argumentação  ceticista  seria  válida;  deduzir-se-ia,  daí,  que  Deus  não  ama  a  humanidade.  Mas,  felizmente,  isso  não acontece!  Qual foi e qual  é  a  reação  de  Deus  ao  ver  o  mal  no  mundo?   
Sua  reação  foi  vir  ao  mundo  em  forma  humana: "Deus  se  manifestou  em  carne"  (1 Tm 3.16). Ele  veio  e  carregou  nEle  todos  os  nossos  pecados,  culpas  e  maldades;  literalmente,  deu-nos  a  solução!  Ele  chama  aos  vis  pecadores  ao  arrependimento,  para  serem  salvos  e  regenerados  por  Ele (At 17.30).  Há,  porventura,  amor  maior  do  que  esse? 

C)  A  LIBERDADE  HUMANA

O  Senhor  ama-nos  muito...  E  uma  das  provas  desse  amor  é  a  liberdade  de  escolha  que  deu-nos.  Ele  ama-nos  tanto  que  jamais  obrigaria  a  qualquer  um de  nós  à  fazer  Sua  vontade;  pois  não  quer uma  obediência  e  submissão  forçada,  mas  livre.   Por  conseguinte,   não  coagirá  a  nenhum  homem ou  mulher  à seguir  seus  preceitos  pacíficos,  feitos  por  Ele,  o  Senhor  da Paz (Jz 6.24; Rm 15.33; 16.20; 1Ts 5.23; Hb 13.20; Fp 4.9); antes, preservará  a  liberdade  humana, para  obedecerem-lhe  ou  darem  ouvidos  a  Satanás...  Aos  que  derem  ouvidos  ao  príncipe  das  trevas  e  do  mal,   resta  o  terrível   lago  de  fogo  e  enxofre, como  pagamento  por  seus  pecados  (cf. Ap 20.11-15). 


Portanto,  Deus  não  é  autor  do  mal  nem  compactua-se  com  Ele;  dá,  antes  a  solução  ao  mesmo;  mas  dá  também ao  homem  a  liberdade  de  aceitar  a  solução  (Jesus)  ou  não...  É  em decorrência  da  humanidade  rejeitar,  desdourar  e  não  aceitar  a  Cristo  que  há  tanto  mal  no  mundo.


 IV.   CONCLUSÃO

Conclui-se,  portanto,  que  Deus  não  é  o  autor  do  mal  nem  se  agrada  do  mesmo.  Ele  mesmo  determinou  o  dia  em  que  há  de  aniquilar  todos  os  seus inimigos  ― incluindo o mal  (1 Co 15.24,25). Ele  é  a  solução;  a  humanidade,  rejeitando-O, só  aumenta  mais  a  maldade  no  mundo.  Só  haverá  a  plena  paz  no  reino  teocrático  de  Cristo  na  terra,  pois  aquele  que  não  Lhe  for  submisso  não  verá o Seu  governo; antes,  será  extirpado  (At 3.12). Somente  assim  a  Terra  estará  em  plena  paz,  no  devido  tempo  determinado  pelo  Altíssimo. Só  existe  o  mal   no  mundo  ainda  hoje,  pelos  seus  habitantes  não  procurarem  a  Jesus...

Por:  Daniel  Cardoso.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

AS DUAS FASES DA VINDA DE CRISTO


I.  INTRODUÇÃO




A vinda do Senhor é o acontecimento mais esperado da Igreja de Cristo; predita nas Sagradas Escrituras amiúdes de vezes. Assim como a primeira vinda de Cristo ao mundo — na qual Ele despojou-se de sua glória e fez-se como nós (Jo 1.14; Fp 2.6,7; 1 Tm 2.5) —   foi anunciada nas Escrituras (Jo 5.39), assim também a Sua Segunda Vinda foi profetizada muitíssimas vezes. A Bíblia Sagrada fala 8 vezes mais da segunda vinda de Jesus do que da primeira. Há um zelo profético muito grande no que tange à Vinda de Cristo. O Senhor disse que nenhuma de suas palavras falhariam (Is 34.16). Jesus disse que nenhuma de suas palavras passariam, ou cairiam por terra (Mt 24.35; Mc 13.31; Lc 21.33). Por conseguinte, visto que as palavras de Deus "subsistem eternamente" (Is 40.8), o cristão deve andar confiante de que a sua salvação "... está, agora, mais perto do que quando aceitou a fé" (Rm 13.11). O Senhor disse: "Eis que cedo venho" (Ap 3.11). Esta é a chamada "bendita esperança" do cristão (Tt 2.13). Diz-nos o hino 300 da Harpa Cristã: "Nossa Esperança é Sua vinda! O Reis dos reis vem nos buscar!". Mantenha esta esperança acesa! "Maranata" — dizia o apóstolo Paulo há dois mil anos atrás (1 Co 16.22); esta expressão aramaica significa literalmente "venha, Senhor!". 


É dessa "bendita esperança" que iremos tratar nesta postagem; sobre como ela se dará. 

II. A  RAZÃO  DE  SEREM  "DUAS  FASES"

Se analisarmos a fundo as profecias bíblicas quanto a Segunda Vinda de nosso Senhor atestaremos que esta se dará em duas fases distintas. Somente assim poderá ser cumprido de forma completa e cabal os objetivos da Vinda de Cristo. Além disso, há uma grande diferença nos relatos da Segunda Vinda de Jesus. Veja alguns exemplos:



A) Diz-nos a Escritura em Mateus 24.29: "E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem [...]". Ao mesmo tempo, Jesus disse: "Fiquem atentos, porque o Filho do Homem há de vir a hora que não penseis" (Lc 12.40). Ora, como a Vinda do Senhor será a hora que "nem imaginamos", se ao mesmo tempo será em meio a um caos como nunca, em meio as estrelas  caindo do céu e as potências universais sendo abaladas? Obviamente, em meio a um caos como esse saberíamos com plena certeza que era chegado o momento do retorno do Messias. Contudo, se fosse assim, contradizer-se-ia Mateus 24.29 e Lucas 12.40.  Mas as Escrituras não contradizem-se. Portanto, ela só poderia estar falando de "duas fases" do retorno de Cristo: uma iminente, sem nem imaginarmos; outra, em meio a sinais indubitáveis e incontestáveis de que o tempo é chegado.




B) Lucas 17.28 diz que as pessoas nos dias que antecederão a Vinda de Cristo estarão "comendo, bebendo, casando, vendendo, plantando e edificando".  Mais tarde, Jesus disse que nos dias que antecederão a sua volta as pessoas estarão "desmaiando de terror pelas coisas que sobrevieram" (Lc 21.26). Ora, como podem estar festejando-se, comendo, bebendo, casando, vendendo, plantando e edificando e ao mesmo tempo desmaindo de terror?

Cristo só poderia estar falando de "duas fases"; nas quais, em uma a humanidade estará em festa, e noutra a mesma estará em prantos, desmaiando de terror.



Mas, como ocorrerão essas duas fases? Sobre isso, bem ponderou o missionário e escritor Eurico Bergstén (1913-1999):




"Jesus voltará em duas fases distintas. Na primeira fase, haverá o arrebatamento da Igreja. Jesus voltará invisível aos olhos do mundo, detendo-se nas nuvens, e, em um abrir e fechar de olhos, arrebatará todos os santos. Isso ocorrerá antes da Grande Tribulação. A segunda fase da vinda do Senhor acontecerá sete anos mais tarde, já no fim da Grande Tribulação. Dessa vez Ele voltará em grande poder e glória, visível aos olhos de todos e acompanhado dos santos que foram arrebatados. Virá, então, para salvar e restaurar o povo de Israel, destruir o Anticristo, amarrar o Diabo e governar a terra por mil anos."




Assim, na primeira fase a terra estará em um período "de paz" (1 Ts 5.3), mas, de repente, o Dia do Senhor virá como um ladrão à noite (Mt 24.43,44; Lc 12.39,40; 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10; Ap 3.3; 16.15).  Aos que ficarem, os eventos que se seguirão virão como um "laço" (Lc 21.35). De fato, o horror que virá será tamanho que fará definitivamente com que os homens desejem a morte (Ap 6.16; 9.6).   Nesta primeira fase a humanidade estará como nos dias de Noé e Ló: absorta em coisas vãs e imoralidades depravadoras (Lc 21.34).  Mas, assim como o Senhor tirou Noé e Ló de suas respectivas terras antes de destruí-las com seu furor e ira, assim também há de arrebatar o povo que é seu, propriedade peculiar sua, antes de derramar sobre a terra o cálice de sua ira (2 Pe 2.5-9).  



III.  A  PRIMEIRA  FASE

A primeira fase é de sobremodo esperada pela Noiva do Cordeiro. Será literalmente o "dia da nossa reunião com Cristo" (2 Ts 2.1), em que o veremos face a face (1 Jo 3.2).  A sua vinda foi muito esperada pelos primeiros crentes. Foi chamada na Bíblia Sagrada de: "Dia de Cristo" (Fp 1.10; 2.16); "Dia do Senhor Jesus" (2 Co 1.14);  "Dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6) e "Dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Co 1.8). O centro dela será o Senhor Jesus, que com poder e glória arrebatará os seus santos. Sua cronologia dar-se-á da seguinte maneira:

A) Os anjos do Senhor preparar-se-ão para descerem até as nuvens juntamente com o Senhor (1 Ts 4.16);

B) Quando descerem, tocarão com lindo e maravilhoso som as trombetas dadas pelo próprio Deus (1 Ts 4.16; 1 Co 15.52). Nos dias veterotestamentários, Deus  determinou que se fizessem duas trombetas de prata, cuja finalidade seria anunciar que o momento da partida era chegado (Nm 10.1-7). Do mesmo modo, Deus dirá aos seus anjos que toquem trombetas, e estas serão escutadas pelos santos do Senhor,  como sinal de que é chegado o momento de sairem da terra, e irem encontrar-se com o Rei Jesus. 

C) O Espírito Santo ressuscitará os corpos dos santos que dormiam no Senhor, levando-os ao encontro de Cristo (Rm 8.11; 1 Co 6.14);

D)  Os vivos serão também arrebatados pelo Espírito, e todos os salvos serão reunidos nos ares (1 Ts 4.17);

E) Todos, juntos, irão para o céu, para as moradas eternas preparadas pelo Pai Celestial (Jo 14.2,3).



A Sagrada Escritura salienta que nessa fase Jesus aparecerá "aos que o esperam para a salvação" (Hb 9.28). Será o dia da "aparição de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tm 6.14).  Ele se revelará aos fieis que lhe servem continuamente nesta esfera terrena. Portanto, o seu aparecimento será exclusivamente aos salvos. Somente depois, em sua segunda fase, que cumprir-se-á o dito profético: "e todo o olho o verá..." (Ap 1.7).


IV.  A  SEGUNDA  FASE

 Entre a primeira e a segunda a fase do retorno de Cristo, ocorrerá a "Septuagésima semana de Daniel" — Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e a tua santa cidade (Dn 9.24) — isto é, a Grande Tribulação. Do capítulo 6 ao 19 de Apocalipse é-se falado sobre ela; no entanto, em nenhuma vez aparece nesses capítulos a palavra Ekklesia —  palavra grega usada para se referir á igreja. Antes disso, é dito por Cristo que Ele a livraria "da" hora da tentação (Ap 3.10).  A palavra "da" carrega consigo a ideia de ser livre literalmente desse tempo de ira. É diferente de ser guardado "na"  hora da tentação —  pois esta palavra traz consigo a ideia de ser preservado durante o tempo de tentação. Portanto, a Igreja de Cristo estará nos céus com Ele, e a terra estará no tempo da ira. Esta é a ênfase apocalíptica: alegria nos céus e sofrimento na terra (Ap 12.12).  Ao final dos sete anos, o Anticristo guerreará contra Israel, no Vale do Armagedom (Ap 16.16).   E nesse vale Cristo revelará seu poder e glória como nunca antes na história da humanidade...

Naquele dia, as nações mundiais estarão em guerra contra Israel. Cristo, então, virá para derrotar o Anticristo e salvar o povo judeu. Não virá sozinho, mas virá acompanhado de "todo o exército do céu" (Ap 19.14). Sua Igreja estará com Ele. Paulo escreveu: "Quando Cristo se manifestar, nós nos manifestaremos juntamente com Ele, em glória" (Cl 3.4). Enoque, em uma visão profética, viu esse grande dia (Jd v.14). Essa será a segunda fase da Vinda de Cristo, em que Ele virá "com poder e grande glória" (Mt 24.30).



  O Dia do Senhor será grande e assombroso! "Diante dele tremerá toda a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu esplendor" (Jl 2.10). Não há quem resista o poder de Deus (Na 1.5). Jesus descerá até o solo terrestre, pisando no Monte das Oliveiras, e este não resistirá a glória do Rei Jesus e fender-se-á pelo meio (Zc 14.4). O Monte das Oliveiras será fendido no formato de uma cruz.  O Senhor derrotará o Anticristo, só pelo assopro de sua boca (2 Ts 2.8). Pisará o lagar; isto é, matará os seus inimigos. João viu o sangue subindo até aos freios dos cavalos, e mil e seiscentos estádios cobertos de sangue (Ap 14.20). 1.600 estádios, naquela época, correspondem a 320 quilômetros, atualmente. O sangue será tanto, que João viu as vestes de Jesus salpicadas de sangue (Ap 19.13). "Por que está vermelha a tua vestidura? E as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar?" — perguntarão a Cristo. Ele responderá: "Eu [...] pisei no lagar [...] com a minha ira e o esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha a minha vestidura" (Is 63.2,3). Depois da carnificina, dizer-se-á às aves dos céus: "Ajuntai-vos, e vinde!", e elas comerão a carne dos mortos (Ap 19.17,18). 




Findada a batalha, Cristo estabelecerá seu reino milenial na terra. Reinará com a Igreja mil anos (Ap 20.4-6). Esse reino "jamais será destruído" (Dn 2.44), pois é "sempiterno" (Dn 4.3); por conseguinte, ninguém o destruirá, será eterno (Dn 7.14, 27). Todos os salvos, unidos, hão de gozar de "um reino que não pode ser abalado" (Hb 12.28). Glória a Deus por isso!




Por: Daniel Cardoso.






BIBLIOGRAFIA:






BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.






SILVA, Severino Pedro. Escatologia: Doutrina das Últimas Coisas. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.




_______________. Armagedom: A  Batalha  Final. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.





















domingo, 10 de março de 2019

QUEM É A ROCHA DE MATEUS 16:18?


I.  Introdução

Hoje em dia, em virtude do ensino católico-romano, se tem a ideia de que o apóstolo Pedro era a pedra referida por Jesus em Mateus 16:18. Por isso, o chamam de primeiro papa, de chefe máximo da igreja. No entanto, ao analisarmos o que a Bíblia Sagrada diz, vemos que só Jesus é o Cabeça da Igreja (Cl 1.18; Ef 1.22). E nesta postagem veremos pela Bíblia Sagrada quem é a Rocha, ou Pedra que Jesus se referiu em Mateus 16:18.


Primeiramente devemos analisar o contexto. Jesus estava em Cesareia de Felipe, e perguntou aos seus discípulos quem as pessoas diziam que Ele era. Eles cogitaram um pouco e já dizeram: "Uns, João Batista, outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas." Jesus, após ouvir isso, perguntou: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Na mesma hora um dos discípulos chamado Simão Barjonas disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus falou que foi Deus quem revelou isso a Pedro. Isso era algo de sobremodo estupendo demais para ter sido Pedro que chegou a essa conclusão. Só poderia ter sido por revelação divina que Pedro afirmou tais palavras. E Jesus então logo disse: "Tu és Pedro, e sobre essa Pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (V. 18). Mas, será que essa Pedra ou Rocha era mesmo Pedro?


II.  Jesus:  A  Verdadeira  Rocha

Aqueles que defendem tal tese a baseiam pelo fato do nome Pedro ter etimologia no grego "Petros", que significa "pedra". No entanto, Jesus chama Simão de Pedro, por ter sido a sua confissão a pedra em que a igreja seria edificada. Em todos os séculos, a igreja sempre foi edificada através do firme fundamento de Cristo. É Ele a Rocha, o firme fundamento, e, além dele, "não há outra Rocha que eu conheça" (Is 44.8).


Se pormos outro fundamento além de Cristo estamos ensinando heresias. Ninguém pode por outro fundamento além de Cristo Jesus (1Co 3.11). É digno de nota que, nas Escrituras Sagradas, Deus é chamado várias vezes de "Rocha" ou "Pedra" ― num sentido figurado, claro. Vejamos exemplos:



* Deus é a nossa Rocha Firme (Sl 62.2,7; Is 17.10);



* Deus é a nossa Rocha de Refúgio (Sl 71.3; 94.22);



* O Senhor Deus é a nossa Rocha (Sl 19.14; 78.35; 92.15);


* Deus é a Rocha da nossa Salvação (Sl 89.26; 95.1; Dt 32.15);

*  Deus é a nossa Rocha Eterna (Is 26.4).


*  Deus é a Rocha e Pedra de Israel (Is 30.29; Gn 49.24; 2Sm 23.3).


*  Deus é o El Shaddai, isto é, é A Rocha, O Todo Poderoso (Gn 17.1).



"Não há Rocha alguma como o nosso Deus" (1Sm 2.2). O salmista várias vezes dizia: "Deus é a minha Rocha" (Sl 28.1; 144.1; 2Sm 22.2, etc..). Certa vez ele disse: "Quem é Rocha senão o nosso Deus?" (2Sm 22.32).  Deus Pai, ao falar de Jesus, disse: "Eis que assentei uma PEDRA   em Sião, uma PEDRA já provada, PEDRA preciosa de esquina, que está bem firme e fundada" (Is 28.16). O profeta Daniel, ao interpretar o sonho do rei Nabucodonosor, interpretou a "Pedra" que o rei tinha visto como sendo o próprio Cristo estabelecendo o Reino de Deus na terra (Dn 2.34-35). O Novo Testamento  também várias vezes fala de Jesus como de uma Pedra ou Rocha. Jesus é a "Pedra que os edificadores rejeitaram" e que Deus fez Cabeça de esquina (Sl 118.22; Mt 21.42; Mc 12.10-11; Lc 20.17; At 4.11; 1Pe 2.7; Ef 2.20).  Vale lembrar que o próprio Pedro reconheceu isso (At 4.11; 1Pe 2.7). Aquele que está obedecendo a Jesus está firme na Rocha, "arraigado e edificado nele" (Cl 2.7). Jesus se compara a uma Rocha (Mt 7.24-27). Jesus era a Pedra que guiava o povo de Israel (1Co 10.4). Paulo é bem explícito ao falar: E A PEDRA ERA CRISTO. 


III.  Conclusão




Portanto, vemos, na Bíblia Sagrada, que Jesus é a Pedra. É baseado na confissão de Pedro que a igreja até hoje se fundamenta: A que Cristo é o Filho do Deus Vivo, enviado a esse mundo para morrer em nosso lugar, para provar a morte pelo mundo (Jo 6.51),e ressuscitar ao terceiro dia. Esse é o Evangelho (1Co 15.1-3). 



Isso é baseado tanto na Bíblia Sagrada, Palavra de Deus, como também na fé dos crentes primitivos. Eles eram unânimes em crer que a Pedra era Cristo. A Pedra fundamental do cristianismo é a de que Jesus é o Cristo (Mt 16.20). 


Jesus Cristo não estava entregando nada ali a Pedro que não entregasse aos demais apóstolos. Mais tarde Jesus dá a chave do Reino dos céus aos demais discípulos (Mt 18.18-19), assim como tinha dado a Pedro (Mt 16.19).  Pedro não se achava o chefe da igreja, considerava os outros superiores a si mesmo (2Pe 3.15-16). Não aceitava adorações humanas (At 10.25-26). Portanto, por que iriamos presumir que Pedro era Rocha, sendo que o testemunho das Escrituras prova justamente o contrário? Somente Jesus é a nossa Rocha Inabalável! 



Por: Daniel Cardoso.










O PERIGO DO CRISTIANISMO EMOCIONAL

  Ultimamente, tenho notado muito o prejuízo causado pela ausência de compreensão correta no que diz respeito ao lugar das emoções na vida c...