quarta-feira, 31 de julho de 2019

AS DUAS FASES DA VINDA DE CRISTO


I.  INTRODUÇÃO




A vinda do Senhor é o acontecimento mais esperado da Igreja de Cristo; predita nas Sagradas Escrituras amiúdes de vezes. Assim como a primeira vinda de Cristo ao mundo — na qual Ele despojou-se de sua glória e fez-se como nós (Jo 1.14; Fp 2.6,7; 1 Tm 2.5) —   foi anunciada nas Escrituras (Jo 5.39), assim também a Sua Segunda Vinda foi profetizada muitíssimas vezes. A Bíblia Sagrada fala 8 vezes mais da segunda vinda de Jesus do que da primeira. Há um zelo profético muito grande no que tange à Vinda de Cristo. O Senhor disse que nenhuma de suas palavras falhariam (Is 34.16). Jesus disse que nenhuma de suas palavras passariam, ou cairiam por terra (Mt 24.35; Mc 13.31; Lc 21.33). Por conseguinte, visto que as palavras de Deus "subsistem eternamente" (Is 40.8), o cristão deve andar confiante de que a sua salvação "... está, agora, mais perto do que quando aceitou a fé" (Rm 13.11). O Senhor disse: "Eis que cedo venho" (Ap 3.11). Esta é a chamada "bendita esperança" do cristão (Tt 2.13). Diz-nos o hino 300 da Harpa Cristã: "Nossa Esperança é Sua vinda! O Reis dos reis vem nos buscar!". Mantenha esta esperança acesa! "Maranata" — dizia o apóstolo Paulo há dois mil anos atrás (1 Co 16.22); esta expressão aramaica significa literalmente "venha, Senhor!". 


É dessa "bendita esperança" que iremos tratar nesta postagem; sobre como ela se dará. 

II. A  RAZÃO  DE  SEREM  "DUAS  FASES"

Se analisarmos a fundo as profecias bíblicas quanto a Segunda Vinda de nosso Senhor atestaremos que esta se dará em duas fases distintas. Somente assim poderá ser cumprido de forma completa e cabal os objetivos da Vinda de Cristo. Além disso, há uma grande diferença nos relatos da Segunda Vinda de Jesus. Veja alguns exemplos:



A) Diz-nos a Escritura em Mateus 24.29: "E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem [...]". Ao mesmo tempo, Jesus disse: "Fiquem atentos, porque o Filho do Homem há de vir a hora que não penseis" (Lc 12.40). Ora, como a Vinda do Senhor será a hora que "nem imaginamos", se ao mesmo tempo será em meio a um caos como nunca, em meio as estrelas  caindo do céu e as potências universais sendo abaladas? Obviamente, em meio a um caos como esse saberíamos com plena certeza que era chegado o momento do retorno do Messias. Contudo, se fosse assim, contradizer-se-ia Mateus 24.29 e Lucas 12.40.  Mas as Escrituras não contradizem-se. Portanto, ela só poderia estar falando de "duas fases" do retorno de Cristo: uma iminente, sem nem imaginarmos; outra, em meio a sinais indubitáveis e incontestáveis de que o tempo é chegado.




B) Lucas 17.28 diz que as pessoas nos dias que antecederão a Vinda de Cristo estarão "comendo, bebendo, casando, vendendo, plantando e edificando".  Mais tarde, Jesus disse que nos dias que antecederão a sua volta as pessoas estarão "desmaiando de terror pelas coisas que sobrevieram" (Lc 21.26). Ora, como podem estar festejando-se, comendo, bebendo, casando, vendendo, plantando e edificando e ao mesmo tempo desmaindo de terror?

Cristo só poderia estar falando de "duas fases"; nas quais, em uma a humanidade estará em festa, e noutra a mesma estará em prantos, desmaiando de terror.



Mas, como ocorrerão essas duas fases? Sobre isso, bem ponderou o missionário e escritor Eurico Bergstén (1913-1999):




"Jesus voltará em duas fases distintas. Na primeira fase, haverá o arrebatamento da Igreja. Jesus voltará invisível aos olhos do mundo, detendo-se nas nuvens, e, em um abrir e fechar de olhos, arrebatará todos os santos. Isso ocorrerá antes da Grande Tribulação. A segunda fase da vinda do Senhor acontecerá sete anos mais tarde, já no fim da Grande Tribulação. Dessa vez Ele voltará em grande poder e glória, visível aos olhos de todos e acompanhado dos santos que foram arrebatados. Virá, então, para salvar e restaurar o povo de Israel, destruir o Anticristo, amarrar o Diabo e governar a terra por mil anos."




Assim, na primeira fase a terra estará em um período "de paz" (1 Ts 5.3), mas, de repente, o Dia do Senhor virá como um ladrão à noite (Mt 24.43,44; Lc 12.39,40; 1 Ts 5.2; 2 Pe 3.10; Ap 3.3; 16.15).  Aos que ficarem, os eventos que se seguirão virão como um "laço" (Lc 21.35). De fato, o horror que virá será tamanho que fará definitivamente com que os homens desejem a morte (Ap 6.16; 9.6).   Nesta primeira fase a humanidade estará como nos dias de Noé e Ló: absorta em coisas vãs e imoralidades depravadoras (Lc 21.34).  Mas, assim como o Senhor tirou Noé e Ló de suas respectivas terras antes de destruí-las com seu furor e ira, assim também há de arrebatar o povo que é seu, propriedade peculiar sua, antes de derramar sobre a terra o cálice de sua ira (2 Pe 2.5-9).  



III.  A  PRIMEIRA  FASE

A primeira fase é de sobremodo esperada pela Noiva do Cordeiro. Será literalmente o "dia da nossa reunião com Cristo" (2 Ts 2.1), em que o veremos face a face (1 Jo 3.2).  A sua vinda foi muito esperada pelos primeiros crentes. Foi chamada na Bíblia Sagrada de: "Dia de Cristo" (Fp 1.10; 2.16); "Dia do Senhor Jesus" (2 Co 1.14);  "Dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6) e "Dia de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Co 1.8). O centro dela será o Senhor Jesus, que com poder e glória arrebatará os seus santos. Sua cronologia dar-se-á da seguinte maneira:

A) Os anjos do Senhor preparar-se-ão para descerem até as nuvens juntamente com o Senhor (1 Ts 4.16);

B) Quando descerem, tocarão com lindo e maravilhoso som as trombetas dadas pelo próprio Deus (1 Ts 4.16; 1 Co 15.52). Nos dias veterotestamentários, Deus  determinou que se fizessem duas trombetas de prata, cuja finalidade seria anunciar que o momento da partida era chegado (Nm 10.1-7). Do mesmo modo, Deus dirá aos seus anjos que toquem trombetas, e estas serão escutadas pelos santos do Senhor,  como sinal de que é chegado o momento de sairem da terra, e irem encontrar-se com o Rei Jesus. 

C) O Espírito Santo ressuscitará os corpos dos santos que dormiam no Senhor, levando-os ao encontro de Cristo (Rm 8.11; 1 Co 6.14);

D)  Os vivos serão também arrebatados pelo Espírito, e todos os salvos serão reunidos nos ares (1 Ts 4.17);

E) Todos, juntos, irão para o céu, para as moradas eternas preparadas pelo Pai Celestial (Jo 14.2,3).



A Sagrada Escritura salienta que nessa fase Jesus aparecerá "aos que o esperam para a salvação" (Hb 9.28). Será o dia da "aparição de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Tm 6.14).  Ele se revelará aos fieis que lhe servem continuamente nesta esfera terrena. Portanto, o seu aparecimento será exclusivamente aos salvos. Somente depois, em sua segunda fase, que cumprir-se-á o dito profético: "e todo o olho o verá..." (Ap 1.7).


IV.  A  SEGUNDA  FASE

 Entre a primeira e a segunda a fase do retorno de Cristo, ocorrerá a "Septuagésima semana de Daniel" — Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e a tua santa cidade (Dn 9.24) — isto é, a Grande Tribulação. Do capítulo 6 ao 19 de Apocalipse é-se falado sobre ela; no entanto, em nenhuma vez aparece nesses capítulos a palavra Ekklesia —  palavra grega usada para se referir á igreja. Antes disso, é dito por Cristo que Ele a livraria "da" hora da tentação (Ap 3.10).  A palavra "da" carrega consigo a ideia de ser livre literalmente desse tempo de ira. É diferente de ser guardado "na"  hora da tentação —  pois esta palavra traz consigo a ideia de ser preservado durante o tempo de tentação. Portanto, a Igreja de Cristo estará nos céus com Ele, e a terra estará no tempo da ira. Esta é a ênfase apocalíptica: alegria nos céus e sofrimento na terra (Ap 12.12).  Ao final dos sete anos, o Anticristo guerreará contra Israel, no Vale do Armagedom (Ap 16.16).   E nesse vale Cristo revelará seu poder e glória como nunca antes na história da humanidade...

Naquele dia, as nações mundiais estarão em guerra contra Israel. Cristo, então, virá para derrotar o Anticristo e salvar o povo judeu. Não virá sozinho, mas virá acompanhado de "todo o exército do céu" (Ap 19.14). Sua Igreja estará com Ele. Paulo escreveu: "Quando Cristo se manifestar, nós nos manifestaremos juntamente com Ele, em glória" (Cl 3.4). Enoque, em uma visão profética, viu esse grande dia (Jd v.14). Essa será a segunda fase da Vinda de Cristo, em que Ele virá "com poder e grande glória" (Mt 24.30).



  O Dia do Senhor será grande e assombroso! "Diante dele tremerá toda a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu esplendor" (Jl 2.10). Não há quem resista o poder de Deus (Na 1.5). Jesus descerá até o solo terrestre, pisando no Monte das Oliveiras, e este não resistirá a glória do Rei Jesus e fender-se-á pelo meio (Zc 14.4). O Monte das Oliveiras será fendido no formato de uma cruz.  O Senhor derrotará o Anticristo, só pelo assopro de sua boca (2 Ts 2.8). Pisará o lagar; isto é, matará os seus inimigos. João viu o sangue subindo até aos freios dos cavalos, e mil e seiscentos estádios cobertos de sangue (Ap 14.20). 1.600 estádios, naquela época, correspondem a 320 quilômetros, atualmente. O sangue será tanto, que João viu as vestes de Jesus salpicadas de sangue (Ap 19.13). "Por que está vermelha a tua vestidura? E as tuas vestes, como as daquele que pisa uvas no lagar?" — perguntarão a Cristo. Ele responderá: "Eu [...] pisei no lagar [...] com a minha ira e o esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha a minha vestidura" (Is 63.2,3). Depois da carnificina, dizer-se-á às aves dos céus: "Ajuntai-vos, e vinde!", e elas comerão a carne dos mortos (Ap 19.17,18). 




Findada a batalha, Cristo estabelecerá seu reino milenial na terra. Reinará com a Igreja mil anos (Ap 20.4-6). Esse reino "jamais será destruído" (Dn 2.44), pois é "sempiterno" (Dn 4.3); por conseguinte, ninguém o destruirá, será eterno (Dn 7.14, 27). Todos os salvos, unidos, hão de gozar de "um reino que não pode ser abalado" (Hb 12.28). Glória a Deus por isso!




Por: Daniel Cardoso.






BIBLIOGRAFIA:






BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.






SILVA, Severino Pedro. Escatologia: Doutrina das Últimas Coisas. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.




_______________. Armagedom: A  Batalha  Final. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.





















domingo, 10 de março de 2019

QUEM É A ROCHA DE MATEUS 16:18?


I.  Introdução

Hoje em dia, em virtude do ensino católico-romano, se tem a ideia de que o apóstolo Pedro era a pedra referida por Jesus em Mateus 16:18. Por isso, o chamam de primeiro papa, de chefe máximo da igreja. No entanto, ao analisarmos o que a Bíblia Sagrada diz, vemos que só Jesus é o Cabeça da Igreja (Cl 1.18; Ef 1.22). E nesta postagem veremos pela Bíblia Sagrada quem é a Rocha, ou Pedra que Jesus se referiu em Mateus 16:18.


Primeiramente devemos analisar o contexto. Jesus estava em Cesareia de Felipe, e perguntou aos seus discípulos quem as pessoas diziam que Ele era. Eles cogitaram um pouco e já dizeram: "Uns, João Batista, outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas." Jesus, após ouvir isso, perguntou: "E vós, quem dizeis que Eu sou?". Na mesma hora um dos discípulos chamado Simão Barjonas disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus falou que foi Deus quem revelou isso a Pedro. Isso era algo de sobremodo estupendo demais para ter sido Pedro que chegou a essa conclusão. Só poderia ter sido por revelação divina que Pedro afirmou tais palavras. E Jesus então logo disse: "Tu és Pedro, e sobre essa Pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (V. 18). Mas, será que essa Pedra ou Rocha era mesmo Pedro?


II.  Jesus:  A  Verdadeira  Rocha

Aqueles que defendem tal tese a baseiam pelo fato do nome Pedro ter etimologia no grego "Petros", que significa "pedra". No entanto, Jesus chama Simão de Pedro, por ter sido a sua confissão a pedra em que a igreja seria edificada. Em todos os séculos, a igreja sempre foi edificada através do firme fundamento de Cristo. É Ele a Rocha, o firme fundamento, e, além dele, "não há outra Rocha que eu conheça" (Is 44.8).


Se pormos outro fundamento além de Cristo estamos ensinando heresias. Ninguém pode por outro fundamento além de Cristo Jesus (1Co 3.11). É digno de nota que, nas Escrituras Sagradas, Deus é chamado várias vezes de "Rocha" ou "Pedra" ― num sentido figurado, claro. Vejamos exemplos:



* Deus é a nossa Rocha Firme (Sl 62.2,7; Is 17.10);



* Deus é a nossa Rocha de Refúgio (Sl 71.3; 94.22);



* O Senhor Deus é a nossa Rocha (Sl 19.14; 78.35; 92.15);


* Deus é a Rocha da nossa Salvação (Sl 89.26; 95.1; Dt 32.15);

*  Deus é a nossa Rocha Eterna (Is 26.4).


*  Deus é a Rocha e Pedra de Israel (Is 30.29; Gn 49.24; 2Sm 23.3).


*  Deus é o El Shaddai, isto é, é A Rocha, O Todo Poderoso (Gn 17.1).



"Não há Rocha alguma como o nosso Deus" (1Sm 2.2). O salmista várias vezes dizia: "Deus é a minha Rocha" (Sl 28.1; 144.1; 2Sm 22.2, etc..). Certa vez ele disse: "Quem é Rocha senão o nosso Deus?" (2Sm 22.32).  Deus Pai, ao falar de Jesus, disse: "Eis que assentei uma PEDRA   em Sião, uma PEDRA já provada, PEDRA preciosa de esquina, que está bem firme e fundada" (Is 28.16). O profeta Daniel, ao interpretar o sonho do rei Nabucodonosor, interpretou a "Pedra" que o rei tinha visto como sendo o próprio Cristo estabelecendo o Reino de Deus na terra (Dn 2.34-35). O Novo Testamento  também várias vezes fala de Jesus como de uma Pedra ou Rocha. Jesus é a "Pedra que os edificadores rejeitaram" e que Deus fez Cabeça de esquina (Sl 118.22; Mt 21.42; Mc 12.10-11; Lc 20.17; At 4.11; 1Pe 2.7; Ef 2.20).  Vale lembrar que o próprio Pedro reconheceu isso (At 4.11; 1Pe 2.7). Aquele que está obedecendo a Jesus está firme na Rocha, "arraigado e edificado nele" (Cl 2.7). Jesus se compara a uma Rocha (Mt 7.24-27). Jesus era a Pedra que guiava o povo de Israel (1Co 10.4). Paulo é bem explícito ao falar: E A PEDRA ERA CRISTO. 


III.  Conclusão




Portanto, vemos, na Bíblia Sagrada, que Jesus é a Pedra. É baseado na confissão de Pedro que a igreja até hoje se fundamenta: A que Cristo é o Filho do Deus Vivo, enviado a esse mundo para morrer em nosso lugar, para provar a morte pelo mundo (Jo 6.51),e ressuscitar ao terceiro dia. Esse é o Evangelho (1Co 15.1-3). 



Isso é baseado tanto na Bíblia Sagrada, Palavra de Deus, como também na fé dos crentes primitivos. Eles eram unânimes em crer que a Pedra era Cristo. A Pedra fundamental do cristianismo é a de que Jesus é o Cristo (Mt 16.20). 


Jesus Cristo não estava entregando nada ali a Pedro que não entregasse aos demais apóstolos. Mais tarde Jesus dá a chave do Reino dos céus aos demais discípulos (Mt 18.18-19), assim como tinha dado a Pedro (Mt 16.19).  Pedro não se achava o chefe da igreja, considerava os outros superiores a si mesmo (2Pe 3.15-16). Não aceitava adorações humanas (At 10.25-26). Portanto, por que iriamos presumir que Pedro era Rocha, sendo que o testemunho das Escrituras prova justamente o contrário? Somente Jesus é a nossa Rocha Inabalável! 



Por: Daniel Cardoso.










O PERIGO DO CRISTIANISMO EMOCIONAL

  Ultimamente, tenho notado muito o prejuízo causado pela ausência de compreensão correta no que diz respeito ao lugar das emoções na vida c...